quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Meu ponto de vista...

EDUCAÇÃO VIVE UM MOMENTO HISTÓRICO

Em 12 de fevereiro de 2015, eu estava lá com meus colegas de profissão, descrever o que aconteceu naquele dia me emociona. Cada um de nós naquele dia sabíamos que nossa carreira e tudo que conquistamos até então estava por um fio, estávamos tão inseguros, angustiados e apreensivos, não sabíamos qual seria o resultado daquela situação. Tínhamos a consciência de que ao menor descontrole daquela multidão da qual fazíamos parte uma tragédia poderia acontecer. Não queríamos estar ali, queríamos estar nas nossas escolas trabalhando.    Mas estávamos ali protegendo a entrada da frente e dos fundos da Assembléia Legislativa para evitar que fosse votado o pacotaço do governador Beto Richa, procedimento este que destruiria tudo que conquistamos no decorrer de uma vida inteira de trabalho,  de muito estudo e dedicação. Neste momento um camburão da polícia Militar encostou os soldados desceram jogaram spray de pimenta nos professores que ali estavam, formaram um paredão de choque, cortaram as grades e permitiram a entrada dos deputados que votariam o tão assustador pacotaço... Bateu um desânimo, uma sensação de impotência e desolação... Abriu-se a nossa frente um precipício, não sabíamos o que fazer, nem para onde ir, os policiais que ali estavam olhavam para nós e não conseguíamos ver em seus olhos nenhum sentimento de êxito pelo que acabaram de fazer, existia sim uma grande tristeza em seus olhares. Olhando para eles pudemos perceber que aquela luta não era só nossa, mas de todos nós... O clima então começou a esquentar, a situação era desesperadora, suávamos muito, alguns de nós chorávamos, todos gritavam, quando Deus mandou uma chuva e nos acalmou... Olhei para o céu e pensei, “Tu hás de estar conosco”. Nesse momento uma grande coragem invadiu a todos.  

 Cada um de nós tão pequenos, como formiguinhas nos unimos e nos tornamos gigantes sabendo que poderíamos morrer, não pensamos em nada e invadimos a Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, debaixo de muitas bombas de efeito moral, spray de pimenta e balas de borracha, conseguimos entrar, em seguida recebemos a notícia que o governador recuou, e que estava suspensa a votação naquele dia, era pouco, mas mesmo assim nos abraçamos e choramos, os policiais comemoraram conosco e cantamos juntos o Hino Nacional.  Naquele momento nos sentíamos soldados e como educadores /soldados ensinávamos mais uma lição. 

                                                                                                          Silene Faria






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