sábado, 22 de outubro de 2016

ALUNOS DO PARANA - OCUPAÇÕES

Ocupações de escolas tomam cada vez mais espaço no Paraná, começam a nacionalizar e podem fragilizar o governo Temer.

O governo Temer começou mexendo lentamente e agora parece estar determinado a apagar o que resta do governo Dilma. Um tempo após suas  falsas promessas, como reduzir número de cargos comissionados, acaba e retorna com o ministério da cultura e sinaliza aos patrões que cumprirá suas metas de retirada de direitos dos trabalhadores.                                                                                    

A jogada do governo é muito clara ao congelar orçamento da união, os gastos por 20 anos com a PEC 241 aprovada no congresso, mas que ainda falta passar pelo senado. Junta-se a ela a PL 257, encaminhada no governo Dilma, que renegocia o orçamento dos estados, mas em contrapartida restringe seus gastos por 2 anos, lança a reforma da previdência, define uma idade mínima para aposentadoria e iguala a de homens e mulheres. E como se já não bastasse encaminha por medida provisória a desestruturação do ensino médio.

Porém o que garantia a serenidade governista é a incapacidade reativa dos antigos governistas. Os movimentos CUT, UNE, MST parecem observar o desenvolvimento dos ataques do campo inimigo e não possuem reação que consiga retomar o protagonismo da luta a partir dos locais de trabalho e estudo. Neste sentido a necessária greve geral é adiada cada vez mais.

Neste momento que surge o inesperado. De uma pequena organização de alguns estudantes de São José dos Pinhais, como reação a medida provisória do governo federal, se alastram ocupações em toda a cidade vizinha a Curitiba. A resistência destes colégios inflamam e incendeiam o estado numa onda de ocupações de escola jamais vista aqui ou em qualquer outro país, superando, inclusive, a quantidade de ocupações que houveram no Chile que conquistaram uma reforma no sentido de instituir a gratuidade nas universidades.

Essa imensa mobilização demonstra que ainda podemos ter alguma esperança, visualizamos uma luz no fim do túnel, ainda temos um contingente imenso de pessoas, uma classe que ressurgiu depois de tantos anos adormecida com muita disposição de lutar e não abrir mão de seus direitos. No Paraná mais de 15 mil secundaristas já estiveram envolvidos nas mais de 800 escolas ocupadas. E surpreende por não se submeter as amarras da burocracia dos antigos governistas e manter firme sua pauta e só negociam com a retirada da medida provisória.

Mas parece que isso não irá ficar só por aqui, o movimento rompe as barreiras regionais, as ocupações começam a chegar nos vários cantos do país. Em Minas Gerais são mais de 15 escolas ocupadas, no Rio Grande do Norte são 5, em Campinas e Caraguatatuba tem uma em cada cidade enfrentando a polícia do Alckimin. Nos Institutos federais de educação já passam de 80 campi e reitorias ocupados nos estados de Alagoas, Bahia, Brasília, Santa Catarina, Ceará, Espirito Santo, Rio Grande do Sul, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo. E mais de 45 universidades estaduais e federais ocupadas contra a Medida Provisória que desestrutura o ensino médio e também contra a PEC 241.  Mas mesmo com essa nacionalização, os comparsas governistas da grande mídia, que divulgavam tão amplamente qualquer panela que soava nas janelas, agora silenciam sobre a maior onda de ocupações de instituições de ensino deste país (e talvez do mundo).

O tramite da medida provisória pode colocar o governo Temer em xeque. Temos certeza de que essa medida provisória só não foi aprovada pelo congresso pela força das mobilizações. Porém, pelo seu tramite, ela irá travar toda a pauta do congresso a partir do dia 6 de novembro. Como reação, querem impor a desocupação das escolas até o dia 31 de outubro, com a ameaça de adiar a prova do ENEM daqueles que tiverem ensalamento nestas escolas. Mas como um blefe retumbante, o segundo turno das eleições gerais que acontecem em Curitiba, Ponta Grossa e Maringá foram realocadas sem maiores problemas, mostrando a possibilidade de fazer o mesmo com o ENEM se necessário.

Mas a aproximação da data de trancamento das pautas do congresso impõe a exposição do governo a enfrentar a mobilização crescente dos filhos da classe trabalhadora. Esses avançam passo a passo demonstrando que não são poucos os descontentes. Só conseguiremos impor uma derrota como esta se ganhar multidões de norte a sul do país, e parece que há cada vez mais adeptos na luta por nenhum direito a menos! Isso demonstra que o povo Brasileiro há de ganhar força e lutar por seus direitos sem manipulações.                                         Pedagoga Silene

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